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Cansaço que não passa: o que pode ser
Cansaço excessivo, cansaço extremo, cansaço que não passa: é uma das queixas mais comuns no consultório. Este guia responde, em linguagem simples: o que pode ser, os três tipos de cansaço, o que os médicos investigam, quais nutrientes têm estudos e se é falta de vitamina.
Cada informação traz o número da sua fonte, e as referências completas estão no fim.
Cansaço que não passa: o que pode ser
O cansaço está entre os dez motivos que mais levam as pessoas ao médico de família1. Uma revisão juntou 26 estudos feitos nesses consultórios para ver o que estava por trás da queixa2:
Mais comum
Questões emocionais
Foram a causa mais encontrada: questões emocionais e o estresse do dia a dia apareceram bem mais do que qualquer doença do corpo2.
Menos comum
Anemia
Apareceu em cerca de 3 em cada 100 pessoas com cansaço2.
Raro
Doença grave no corpo
Apareceu em cerca de 4 em cada 100, a mesma proporção encontrada em quem não se queixava de cansaço2.
Em uma frase
Na maior parte das vezes, o cansaço que não passa não é sinal de doença grave.
Os três tipos de cansaço
Os médicos de família dividem o cansaço em três tipos, e cada um pede um caminho1:
Tipo 1
Do dia a dia
Vem da rotina: muito esforço, pouca pausa, alimentação irregular. Melhora quando esse equilíbrio é refeito1.
Tipo 2
De outra condição
Vem de algo que está por trás, como anemia, alteração da tireoide ou efeito de remédio. Melhora quando essa condição é tratada1.
Tipo 3
Crônico
É um quadro próprio, que dura meses e piora depois do esforço. Pede acompanhamento médico1.
O que os médicos investigam
A conversa e o exame físico vêm primeiro: são eles que dizem quais exames pedir1. A revisão dos 26 estudos concluiu que uma bateria grande de exames só se justifica quando a conversa ou o exame apontam um caminho2.
Se o cansaço dura semanas e não melhora com a rotina em ordem, a conversa é com um profissional de saúde.
O que mais as pesquisas estudaram
Alguns nutrientes têm estudos com pessoas que se queixavam de cansaço.
Estudo
Vitamina D baixa
Em 120 adultos jovens cansados e com vitamina D baixa, uma dose única de 100.000 UI fez a nota de cansaço cair mais do que a cápsula sem nada, em quatro semanas3.
Estudo
Curcumina
Em 80 adultos de 50 a 80 anos, 80 mg de curcumina por dia, numa preparação feita para ser mais bem absorvida, deixaram a nota de cansaço menor do que a cápsula sem nada, em 4 e em 12 semanas4.
Estudo
Complexo B
Em 215 homens que trabalhavam em tempo integral, um complexo B em dose alta, com vitamina C e minerais, por 33 dias, deixou o grupo menos cansado mentalmente depois de uma hora de tarefas de concentração5.
Revisão
Coenzima Q10
Uma revisão de 13 estudos, com 1.126 pessoas, encontrou nota de cansaço menor com a coenzima Q10 do que com a cápsula sem nada6.
Estudo
Ferro
Em 198 mulheres cansadas, sem anemia mas com o estoque de ferro baixo, 80 mg de ferro por dia, por 12 semanas, reduziram a nota de cansaço em 47,7%, contra 28,8% no grupo da cápsula sem nada7.
Três nutrientes têm na norma brasileira a mesma frase, exatamente como a Anvisa a escreveu8:
- "O magnésio auxilia no metabolismo energético."
- "A vitamina B6 auxilia no metabolismo energético."
- "A vitamina B12 auxilia no metabolismo energético."
Esses estudos falam dos nutrientes, e não de um produto. Suplemento alimentar não é tratamento. Se o cansaço atrapalha o trabalho, a casa ou as relações, a conversa é com um profissional de saúde.
Cansaço excessivo é falta de qual vitamina?
Pode ser, e o exame de sangue mostra. Os estudos da seção 04 com vitamina D e com ferro foram feitos justamente com quem tinha esses nutrientes baixos3,7.
O guia Vitamina para cansaço mostra cada nutriente em detalhe, e o guia Vitamina D baixa explica como ler o exame.
Perguntas frequentes
Cansaço extremo: o que pode ser?
As causas são as mesmas da seção 01. O que pesa é quanto tempo o cansaço dura e o que vem junto: é isso que a conversa com o médico investiga1.
Cansaço que não passa pode ser emocional?
Pode. Nos consultórios de família, questões emocionais foram a causa mais encontrada entre quem procurava o médico por cansaço2.
Cansaço físico e mental: são diferentes?
Os estudos medem os dois. O complexo B da seção 04, por exemplo, mediu o cansaço mental depois de tarefas de concentração5.
Referências
- Latimer KM, Gunther A, Kopec M. Fatigue in adults: evaluation and management. Am Fam Physician. 2023;108(1):58-69.
- Stadje R, Dornieden K, Baum E, Becker A, Biroga T, Bösner S, et al. The differential diagnosis of tiredness: a systematic review. BMC Fam Pract. 2016;17(1):147. doi:10.1186/s12875-016-0545-5
- Nowak A, Boesch L, Andres E, Battegay E, Hornemann T, Schmid C, et al. Effect of vitamin D3 on self-perceived fatigue: a double-blind randomized placebo-controlled trial. Medicine (Baltimore). 2016;95(52):e5353. doi:10.1097/MD.0000000000005353
- Cox KHM, White DJ, Pipingas A, Poorun K, Scholey A. Further evidence of benefits to mood and working memory from lipidated curcumin in healthy older people: a 12-week, double-blind, placebo-controlled, partial replication study. Nutrients. 2020;12(6):1678. doi:10.3390/nu12061678
- Kennedy DO, Veasey R, Watson A, Dodd F, Jones E, Maggini S, et al. Effects of high-dose B vitamin complex with vitamin C and minerals on subjective mood and performance in healthy males. Psychopharmacology (Berl). 2010;211(1):55-68. doi:10.1007/s00213-010-1870-3
- Tsai IC, Hsu CW, Chang CH, Tseng PT, Chang KV. Effectiveness of coenzyme Q10 supplementation for reducing fatigue: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Front Pharmacol. 2022;13:883251. doi:10.3389/fphar.2022.883251
- Vaucher P, Druais PL, Waldvogel S, Favrat B. Effect of iron supplementation on fatigue in nonanemic menstruating women with low ferritin: a randomized controlled trial. CMAJ. 2012;184(11):1247-54. doi:10.1503/cmaj.110950
- Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018, Anexo V (texto consolidado).
Leia também
- Vitamina para cansaço
- Coenzima Q10: para que serve
- Vitamina D baixa: o que o exame diz e o que fazer
Escrito pela Equipe editorial LIENZ. Como escrevemos.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Adultos a partir de 19 anos.